sábado, 13 de novembro de 2010



"Temos cinco Sentidos
São dois pares e meio de asas
Como quereis o equilíbrio..."
David Mourão Ferreira

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Edgar Meu amor…

" Por favor Edgar não me deixes assim, o que se passa entre nós, porque não telefonaste? Eu aqui à espera feita parva, nem ao cabeleireiro fui com medo que ligasses, fumei oito Mores seguidos, tenho a cabeça tonta de cigarros, já perguntei às Avarias se havia algum problema com o meu número e não há, já tentei entreter-me a pintar as unhas dos pés e borrei tudo, até nos calcanhares pus verniz, até na alcatifa, até no braço da cadeira, não foste ao emprego, não foste ao café, não foste ao clube, o que aconteceu Edgar? não é justo, não parece teu, não me deixes assim, dou voltas à cabeça a ver se percebo e não entendo, ainda ontem aqui vieste jantar ainda ontem me gabaste o ensopado de enguias, ainda ontem, no sofá, lembras-te?

- Gosto de ti Fofinha
ainda ontem, no sofá, coisa e tal, eu no princípio do licor e tu a puxares-me os collants

- Sua má sua mazona

e eu a mostrar-te o cálice

-Olha que isto deixa nódoas na almofada Edgar a almofada é nova

Tu de joelhos, tu despenteado, de gravata torta, tu tal e coisa

-Quais nódoas quais caraças ajuda-me que o fecho do soutien encravou e nem para trás nem para a frente ajuda-me senão chamo o serralheiro

e claro que não tinha encravado, Edgar, é uma questão de jeito é uma questão de calma, e tu a olhares para mim e a desapertares o cinto, tu atrapalhado nos atacadores

-Aguenta Deolinda que daqui a um segundo estou aí

eu aguentei, tu estavas aqui a magoares-me a perna com ocotovelo, eu

Levanta o braço amor que me aleijaste

da janela via-se o Laranjeiro quase todo que o meu apartamento é em cima, o Laranjeiro, a Cova da Piedade, Almada, mais seis meses e tenho as duas assoalhadas pagas, eu a pensar que podíamos, se tu quisesses, morar os dois, arranjar um cão e ser felizes, e nisto tu quieto, tu embaraçadíssimo a olhares para baixo:

- Devo andar cansado Deolinda deve ter sido do serão no escritório

tu sem ímpeto nenhum, tu sem vontade, eu a ajudar-te e tu envergonhado, tu de calças pelos tornozelos num fiozinho de voz

- Deve ter sido do serão no escritório não me mexas paramos meia hora e fico fino

parámos meia hora, assistimos àquele programa onde as pessoas vão pedir desculpa à família e depois abraçam-se e choram e a assistência aplaude a chorar também, e mesmo a senhora que faz o programa, tão simpática, tão boazinha, se comove como se comove o Laranjeiro em peso, eu a beijar-te

- Já descansaste Edgar?

Tu zangado comigo, tu que não ficaste fino nem meia

- Cala-ten

uma voz tão diferente da tua, amor, nem fofinha nem mazona, nem bichaneca

- Cala-te

E eu a fazer-te uma festa, cheia de paixão, preocupada com o teu cansaço

- Edgar

E tu sempre de calças pelos tornozelos a desviares-te para outro canto do sofá

- deslarga-me

Eu que te adoro, a pôr-te a mão na coxa, e tu como se a minha mão queimasse

- Deslarga-me poça deslarga-me

Vestiste-te num instantinho, puseste o casaco, avisaste da porta

- Se contas a alguém o que me sucedeu rebento-te

Eu a compor-me estarrecida, eu a tropeçar atrás de t

i- Não me deixes sozinha, não te vás embora Edgar

Tu a desceres a rua para a camioneta, tu curvado como se carregasses o mundo inteiro nos ombros, eu da marquise

- Edgar

E nem sequer te voltaste, nem sequer adeus, nem sequer um sorriso, nem sequer um telefonema, queria dizer-te Não te apoquentes, queria dizer-te Não tem importância, gosto de ti à mesma hoje tentamos outra vez, eu não conto a ninguém. Edgar, juro que não conto a ninguém, não vão troçar-te no emprego, não vão troçar-te no café, podíamos morar os dois no Laranjeiro ainda que ficasses cansado para sempre, eu não me importo, comprávamos um cãozinho, íamos aos domingos ao Ginjal, isto no Laranjeiro é calmo, vê-se a Cova da Piedade, vê-se Almada, tenho a cabeça tonta de cigarros, já perguntei às avarias se há problemas com o meu numero e não há, fiz ensopado de enguias, comprei sorvete no supermercado e o soutien que trago hoje tem rendas pretas e abre-se à frente Edgar, vai ser canja para ti tirar-mo."
ALA

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"porque a revolução se faz por dentro"

" Vc era capaz de viver com um homem que dissesse "hás-des" e o " moço" e a "moça"? E eu era muito menos capaz de viver com uma mulher que fosse economista e dissesse "optimizar" e usasse marcas por fora da roupa.

Preferia uma que colecionasse palhaços de loiça com dourados e dissesse: "hás-des".ALA

terça-feira, 19 de outubro de 2010

ADDICTED

"Resgatei o teu sorriso
quatro vezes foi preciso
por não precisares de mim
e depois, quando dormias
fiz de conta que fugias
e que eu não ficava assim
nesta dor em que me vejo
de nos ver quase no fim "

why am i gonna let you try...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"Em certos momentos, imensamente raros, esquecia-se do papel que tinha de representar e (...) Claro que herdei alguma coisa dele: a solidão feroz, a capacidade de ser horrivelmente desagradável para os outros, os caprichos não tão incompreensíveis quanto isso, apenas defensivos, a agressividade injusta, o receio que me toquem demasiado fundo e fique tão sem pele, tão vulnerável, tão à mercê dos outros."

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Eat, Pray, Love

"I have a history of making decisions very quickly about men. I have always fallen in love fast and without measuring risks. I have a tendency not only to see the best in everyone, but to assume that everyone is emotionally capable of reaching his highest potential. I have fallen in love more times than I care to count with the highest potential of a man, rather than with the man himself, and I have hung on to the relationship for a long time (sometimes far too long) waiting for the man to ascend to his own greatness. Many times in romance I have been a victim of my own optimism."
— Elizabeth Gilbert

domingo, 11 de abril de 2010

"Se pudesse, dizia-te para vestires sempre essa camisa azul. Não é por esse tom de azul ficar tão bem com o teu tom moreno. É porque te confere um tom de despreocupação, porque me deixa a imaginar que não é impossível saíres dessa redoma criada pelo paradigma da tua vidinha perfeita, carregada de regras patéticas, obsoletas e sem qualquer substância."

poder, podia...mas nao era a mesma coisa. E há tantas "camisas azuis".
"Escrevo porque não sei dançar como o Fred Astaire"

António Lobo Antunes

...um doce

foram precisos mtos kms...

...mas aprendi a ser feliz!
Comigo, por mim e para mim...

segunda-feira, 29 de março de 2010

"Não importam as horas agora, hoje são sempre onze da noite e chove"

«...deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito e há momentos, palavra de honra, não se compreende o motivo, mas pesa, sente-se dentro o


(ia escrever o incómodo e não incómodo conforme não tristeza, não dor, como se traduzir isto, não sei)


Deviam chover lágrimas quando o coração pesa muito e há momentos palavra de honra que pesa


(para já fica assim)...»

domingo, 28 de março de 2010

ora nem mais...

Harry: "There are two kinds of women: high maintenance and low maintenance...You're the worst kind. You're high maintenance, but you think you're low maintenance....
Sally: "Well, I just want it the way I want it."
Harry: "I know, high maintenance."

“Baby I’m a fool who thinks it’s cool to fall in love”

sexta-feira, 19 de março de 2010

ALA - as always...

"Apetece-me desenhar o sol a sorrir. Apetece-me desenhar uma menina ao lado de uma árvore grande e a menina ser maior do que a árvore. Apetece-me desenhar uma casa com uma varanda e na varanda flores de caules compridíssimos, até ao alto do papel. Apetece-me desenhar um homem cheio de botões no casaco.
Dizer o quê? Se pudesse abrir o peito às pessoas e mostrar o que está dentro. Quanto mais gosto das pessoas mais emudeço
Há bocadinho apetecia-me desenhar o sol a sorrir, agora não sei o que me apetece. Que silêncio. Gostava de ouvir barulho de saltos de mulher no chão, a sua maneira de vestirem de gestos o interior das salas. Não me caía mal um aceno agora, a sombra de uma voz. De manhã a sombra da voz está no lado esquerdo delas, à tarde no direito. O mistério dos seus cabelos que me faz ter saudades do mar..."

Play it again


"Yvonne: Where were you last night?
Rick: That's so long ago, I don't remember.
Yvonne: Will I see you tonight?
Rick: I never make plans that far ahead." in Casablanca


Because my dear Ricky, I suspect that under that cynical shell, you're at heart a sentimentalist...